segunda-feira, 7 de maio de 2012

Fama x Sucesso


É muito frequente a confusão que se faz entre os significados dessas palavras. Sucesso se refere a qualquer atividade quando se consegue atingir os objetivos desejados. Já a fama, que em princípio parece ser a mesma coisa, é o grau de reconhecimento ou valorização que se obtém, relativo a um fato ou pessoa. Nem sempre a fama se refere a um sucesso.  Grandes fracassos também podem ficar famosos, assim como feitos que em nada recomendem quem os praticou.
Desejar o sucesso e lutar por ele não é nada fácil. Embora possa não parecer, lutar pelo sucesso não é uma coisa feia, é essa luta que nos conduz aos melhoramentos que nos tornarão pessoas capazes e seguras.
 Outro requisito essencial para quem quer ter sucesso é a humildade, pois é ele que nos permite observar a realidade, colher informações e transformá-las a favor de nossos propósitos. Os prepotentes, que se acham donos da verdade, são incapazes desse olhar, pois pairam acima de tudo.
Quanto a busca pela fama, ela não passa de um intenso desejo de chamar a atenção dos outros, mas se isso acontecer,  o importante é saber usufruir dela como conseqüência natural de um trabalho bem- sucedido. Nesse caso a fama é auto-sustentável o que não ocorre quando ela chega sem uma base concreta e a pessoa famosa passa a viver em função apenas da sustentação dessa fama, que passa a ser o seu principal objetivo e não o aperfeiçoamento profissional.
Voltando para o futebol, especificamente, quando ganhamos uma partida decisiva, ou fazemos um belíssimo gol, produzimos fama imediatamente. Mas, a fama como já foi descrito acima, tem vida curta, um breve caminho.
Porém, uma história conquistada com títulos, ter uma carreira sólida, pautada sempre com profissionalismo, ética, seriedade e trabalho tende a ser sempre lembrada com sucesso.
Será preferível lutar pela fama momentânea, ou batalhar muito e perseverar para obter o sucesso? 
Um abraço.


Se quiser interagir com o autor, mande email para: fisiologista@avai.com.br




sexta-feira, 4 de maio de 2012

O todo é mais do que a soma das partes ou o jogo Barcelona-Santos


O que Pep Guardiola aprende em seus encontros com Enrique Vila-Matas para enriquecer o jogo da equipe catalã
Por quatro golos, sem resposta; com duas bolas nos postes dos adversários; e 72% de posse de bola - o Barcelona "esmagou" o Santos, no jogo final do Mundial de Clubes. Porque me considero luso-brasileiro (não legalmente, mas pelo coração), eu fui, naquele jogo, que contemplei pela TV, um "torcedor" do Santos. 

No entanto, findos os primeiros 45 minutos, já a superioridade do Barça era tão evidente, que não me restava senão aceitar desportivamenter a derrota e refletir sobre as razões de tamanho desnível entre os dois clubes, incluindo entre os jogadores de maior valia técnica, o Messi e o Neymar: as rajadas impetuosas do Messi foram o corolário do dinamismo organizacional de uma equipa onde o todo é mais do que a soma das partes; a ineficácia do Neymar foi o resultado do trabalho de uma equipa onde o todo é menos do que a soma das partes. 

Em qualquer complexidade sistémica, fomenta-se a relação todo-partes de modo que esta dialética permita a emergência de qualidades que, por si sós, nem as partes nem o todo possuem. O que era Barcelona, sem o Messi? Muitíssimo menos do que hoje é. O que era o Messi, sem o Barcelona? Igual ao Neymar! 

Este, em entrevista televisiva, afirmou, convicta e humildemente, que o Barcelona acabara de dar ao Santos uma aula de bom futebol. E não só de bom futebol, mas também doutros temas que é preciso saber no futebol, como em qualquer outra área do conhecimento. 

Entendo agora por que o escritor catalão Enrique Vila-Matas, um dos grandes escritores da atualidade, faz parte de um grupo de intelectuais que, periodicamente, se reúne com Pep Guardiola...
Não, não estou a dizer que o Enrique Vila-Matas sabe mais de futebol do que o Guardiola. Sabe menos! Mas da relação entre os dois (porque o futebol é uma atividade humana e não só uma atividade física) o Guardiola enriquece os seus conhecimentos do futebol e o Enrique encontra novos motivos (incluindo os estilísticos e os retóricos) para os temas da sua prosa. 

Hoje, em qualquer comunidade científica, a multi e a interdisciplinaridade são procedimentos básicos. Por que o não são, na esmagadora maioria dos clubes de futebol? Porque se desconhece que só sabe de futebol quem sabe mais do que futebol (e de medicina quem sabe mais do que medicina e de direito quem sabe mais do que direito e de economia quem sabe mais do que economia, etc., etc.). 

Não há área do conhecimento que não se desenvolva, sem uma sistemática relação com as demais áreas do conhecimento. A complexidade do real exige a complexidade do pensamento e da ação. E o futebol é bem mais do que a técnica e a tática. 

Estou certo que o Pep Guardiola sabe tudo isto o que venho de escrever e acredito que já tenha tentado recriar o futebol que lidera, como trabalho que cria conhecimento. Há uma revolução a fazer no futebol. 

Estou certo que já começou, no Barcelona. Se não laboro em erro grave: está prestes a começar no Sport Lisboa e Benfica de Luís Filipe Vieira, Domingos Soares de Oliveira e... Jorge Jesus! 

"Todo o conhecimento, mesmo o mais físico, é uma produção bio-antropológica, social, cultural, noológica" (Robin Fortin, Compreender a Complexidade, Instituto Piaget, p. 241). Que o mesmo é dizer: no futebol, a preparação física depende dos grandes objetivos que animam a equipa. 

O próprio jogador genial encontra-se em rede com os seus colegas. Compreende-se o Messi, sem o Xavi e o Iniesta? Mas também o todo é menos do que a soma das partes, se se desconhece o papel das emoções, no comportamento de uma equipa de futebol. 

Ainda há pouco um aficionado do Barcelona me garantia que o seu clube apresenta uma indelével marca política (que não partidária): "O Barcelona, mais do que os ideais de um clube, representa os grandes anseios políticos da Catalunha". Talvez seja por isso que muitos dos jogadores que a publicidade mais idolatra, das outras equipas, pareçam viver num mundo fictício, convencional, artificial, gritando um clubismo declamatório e balofo, nos órgãos da Comunicação Social e saltitando nas revistas cor-de-rosa, de mãos dadas com jovens artistas (ou desportistas) de quem se contam grosseiras anedotas. 

Ao invés, o Messi, o Xavi e o Iniesta, não sendo monges nem deixando de ter vida afetiva, dão bem a entender que, mesmo nas suas horas de ócio, não deixam de cuidar do seu "treino invisível". De facto, fogem daquilo que não interessa, para brilharem (com luz inusitada) naquilo que verdadeiramente lhes interessa.

O Barcelona é a melhor equipa de futebol do mundo. E por que? Em primeiro do mais, porque, nela, o todo é mais do que a soma das partes. E aqui as partes não são só a técnica e a tática e o físico - mas também o intelectual e o moral. E até os aspetos epistemológicos, que o Pep Guardiola também já mostra entender.

*Antigo professor do Instituto Superior de Educação Física (ISEF) e um dos principais pensadores lusos, Manuel Sérgio é licenciado em Filosofia pela Universidade Clássica de Lisboa, Doutor e Professor Agregado, em Motricidade Humana, pela Universidade Técnica de Lisboa.
Notabilizou-se como ensaísta do fenômeno desportivo e filósofo da motricidade. É reitor do Instituto Superior de Estudos Interdisciplinares e Transdisciplinares do Instituto Piaget (Campus de Almada), e tem publicado inúmeros textos de reflexão filosófica e de poesia.
Esse texto foi mantido em seu formato original, escrito na língua portuguesa, de Portugal

Guardiola: uma vitória de Mourinho?


Orientar o Barcelona cansa. Principalmente, quando se tem de competir com o Real de Mourinho e de Cristiano Ronaldo. Mas outra história será escrita. Mais cedo ou mais tarde
Tenho o hábito de perguntar aos meus alunos de Motricidade Humana, designadamente aos de Desporto, o que pretendem ser eles, findo o seu curso universitário. Em 1982 (precisamente há trinta anos!) levantei igual questão ao José Mourinho, era ele aluno do primeiro ano da licenciatura em Educação Física e Desporto do Instituto Superior de Educação Física de Lisboa. Respondeu-me, aprumado e sem reticências: “Quero ser treinador de futebol”. 

Olhei para ele, com simpatia, dada a convicção manifestada por um jovem de 18 anos de idade, mas não deixei de acrescentar: “Então não se esqueça que, para saber de futebol, é preciso saber mais do que futebol”. 

O atual treinador do Real Madrid muitas vezes lembra o conselho que naquele momento me ocorreu e tem mesmo a generosidade de afirmar que nunca mais o esqueceu, ao longo da sua vida. 

No seu primeiro ano de treinador, no F.C. Porto e no primeiro livro de Luís Lourenço, sobre o seu amigo José Mourinho, não tive receio em escrever no prefácio que o José Mourinho estava para o treino como Pelé e Maradona para a prática do futebol. 

Embora já me tenha enganado muitas vezes, desta vez não me enganei. Líder nato, inteligente, perspicaz, corajoso, em constante busca por mais informação e fazendo da sua equipa a sua segunda família – a aposta nos seus êxitos era um risco reduzido. 

No entanto, ao fim de treze títulos (poderão ser catorze, se os catalães vencerem a Taça do Rei, no próximo dia 23 de Maio), no espaço de quatro anos, e ao leme de uma equipa que realizou exibições memoráveis – Josep Guardiola, de 41 anos de idade, pode também apresentar um currículo admirável.

Quando, no passsado dia 27 de Abril, ele surpreendeu o mundo, ao anunciar, emocionado, que terminará o seu vínculo profissional ao Barcelona, no final da presente época, o seu nome já se encontrava gravado a letras de oiro, na História do Barcelona e na História do Futebol. 

Discípulo de Cruyff, vivendo de uma filosofia política que é a alma da Catalunha, antigo jogador internacional de futebol e pessoa de estudo constante – Josep Guardiola surge a não temer cotejo com qualquer treinador de futebol. Mesmo com o primeiro de todos, o José Mourinho...

No anúncio da partida de Camp Nou, teve a seu lado Iniesta, Xavi, Puyol, Valdés, Piqué, Fabregas, Busquets e Pedro. Faltou Messi, três vezes Bola de Ouro sob a liderança de Guardiola, que explicou assim a sua ausência: “Preferi não estar presente na conferência do Pep, porque sei que os jornalistas dariam grande relevo à minha emoção e eu não queria que o fizessem”. Mas no treino Messi e Guardiola abraçaram-se, num abraço que parecia não ter fim. Como o referiu, na conferência de imprensa: “Vou continuar a ser treinador, mas não quero voltar em breve”. 

Orientar o Barcelona cansa. Principalmente, quando se tem de competir com o Real de Mourinho e de Cristiano Ronaldo. Talvez resida na saída do Pep Guardiola do Barcelona uma das grandes vitórias do José Mourinho: é que o Barcelona, sem o Guardiola, não será o mesmo, na próxima época. 

Com 42 anos de idade, Tito Vilanova, o seu sucessor, é “um homem da casa”; conhece, por dentro e por fora, o Barcelona. Mas não sei se tem o génio de Guardiola! No meu modesto entender, sem o Guardiola, o Barcelona, em 2013, arrisca-se a ser, de novo, o segundo do Campeonato Espanhol.

Jacques Derrida, no seu livro Spectres de Marx (Galilée, Paris, 1993), adianta que, com o neoliberalismo mundializado, se chegou ao fim, não da História, como queria Fukuyama, mas de uma certa história. No Barça, a história de Cruyff e de Guardiola findou. Outra virá, mais tarde, ou mais cedo. Aliás, no Barça, continua a jogar Lionel Messi. No entanto, o clube, uma das expressões do povo da Catalunha, viverá muito para além de qualquer jogador ou treinador, que o servirem. 

O ex~presidente Joan Laporta deixou, na Imprensa, um agradecimento sentido a Guardiola: “Obrigado, Pep, por tudo o que nos deste”. Tudo é tempo e outros tempos hão-de vir. Mas, para já, o Mourinho vai ganhar. 


*Antigo professor do Instituto Superior de Educação Física (ISEF) e um dos principais pensadores lusos, Manuel Sérgio é licenciado em Filosofia pela Universidade Clássica de Lisboa, Doutor e Professor Agregado, em Motricidade Humana, pela Universidade Técnica de Lisboa.
Notabilizou-se como ensaísta do fenômeno desportivo e filósofo da motricidade. É reitor do Instituto Superior de Estudos Interdisciplinares e Transdisciplinares do Instituto Piaget (Campus de Almada), e tem publicado inúmeros textos de reflexão filosófica e de poesia.
Esse texto foi mantido em seu formato original, escrito na língua portuguesa, de Portugal.

segunda-feira, 2 de abril de 2012

Ney Franco: o desafio de se mudar a mentalidade dos jogadores desde as categorias de base



"A maioria das equipes conta com jogadores que têm colocado os seus interesses à frente do time. A coletividade tem de imperar”, afirma coordenador
Guilherme Yoshida*
Quase dois anos na função de coordenador das categorias de base da CBF e treinador da equipe sub-20 da seleção brasileira, Ney Franco sabe que ainda está muito longe de conseguir todas as mudanças que pretende fazer no futebol brasileiro.
E, apesar dos títulos do Campeonato Sul-Americano (que rendeu a classificação do Brasil para a Olimpíada de Londres) e do Mundial sub-20, o técnico com passagem por clubes como Coritiba, Botafogo, Atlético-PR, Flamengo, Atlético-MG, entre outros, aponta que o novo projeto de desenvolvimento de novos talentos deva render frutos somente após a Copa-2014.
Em entrevista à Universidade do Futebol, Ney Franco admite que o Brasil ainda conta com muitas falhas conceituais e estruturais no processo de detecção e treinamento das jovens promessas.

Porém, ele afirma que o grande desafio que tem à frente do futebol de base do país é a mudança na cultura e na mentalidade dos jovens atletas. O treinador explica que os jogadores formados em terras brasileiras ainda não se dedicam e não estão focados no trabalho como acontece em outros países.

“O nosso grande desafio é modificar a cultura dos nossos atletas. Vejo que ainda não há um compromisso com o jogo em si e com o clube. A maioria das equipes conta com jogadores que têm colocado os seus interesses à frente do time. A coletividade tem de imperar”, afirma.

“Os nossos jogadores não tomam as melhores decisões, o que pode fazer com que os clubes percam uma classificação, por exemplo. Os atletas não fazem as melhores jogadas porque querem ser os heróis da partida. Isso pode atrapalhar o investimento do clube. Por isso, devemos começar lá de baixo essa mudança. Precisamos desenvolver uma geração mais consciente”, completa. 
Para Ney Franco, este comportamento inadequado das promessas no futebol brasileiro é uma das razões para o fato de países como Alemanha ou Espanha, que têm um terço na nossa população, conseguirem atualmente revelar mais talentos do que o Brasil.

“Acho que eles estão preparando melhor os atletas por um conjunto de fatores: melhor estrutura, melhores conceitos de treinamento, investimento, enfim. Mas não é só isso. Os jovens jogadores lá [Europa] estão mais focados no trabalho. E isso faz muita diferença”, analisa.

Ney Franco aponta ainda que os clubes deveriam ter um papel mais importante neste processo de detecção e desenvolvimento das categorias de base. Por isso, o treinador e coordenador da seleção pretende estabelecer uma relação mais próxima entre os clubes e a CBF.

Para ele, ainda é necessário haver uma padronização nos métodos de treinamento e na forma de trabalho como um todo para que o Brasil melhore a sua formação de talentos.

E, no próximo dia 25 de abril, Ney Franco e integrantes das categorias de base da CBF darão o primeiro passo nesse sentido. Eles promoverão o 1º Seminário do Futebol Brasileiro de Base, no qual coordenadores de diversos clubes se reunirão para discutir estes assuntos. Posteriormente, Ney Franco pretende conversar com os técnicos.

“Em qualquer área você tem profissionais mal capacitados. Então, acho que as agremiações deveriam dar um suporte no aprimoramento dos seus profissionais. Proporcionar uma reciclagem a eles. Os próprios clubes poderiam criar um veículo para aprimorar o treinador. O momento é de debate de todos esses temas”, finalizou. 
http://www.universidadedofutebol.com.br/2012/03/2,16218,NEY+FRANCO+O+DESAFIO+DE+SE+MUDAR+A+MENTALIDADE+DOS+JOGADORES+DESDE+AS+CATEGORIAS+DE+BASE.aspx

terça-feira, 20 de março de 2012

ENERGÉTICOS: EFICÁCIA E SEGURANÇA EM XEQUE

O consumo de energéticos, muito popular entre jovens, tem causado preocupação crescente entre cientistas. A combinação de ingredientes desses produtos foi analisada por pesquisadores das universidades do Texas e de Queensland (Austrália). Agora, o grupo questiona não só a eficácia, mas também a segurança de ingerir essas bebidas.
Em um artigo publicado na revista “The Mayo Clinic Proceedings”, os cientistas alertam para o alto nível de cafeína contido nos energéticos. De acordo com o texto, o consumo demasiado dessas bebidas poderia provocar danos sobre a pressão arterial, frequência cardíaca e função cerebral de consumidores mais vulneráveis àquela substância.
A equipe, liderada por John Higgins, destaca registros de convulsões associadas ao uso de energéticos. O trabalho cita, também, o caso de um jovem saudável de 28 anos que sofreu uma parada cardíaca após um dia de corrida de motocross. Em outro trecho, é lembrada a história de um adolescente de 18 anos, que morreu jogando basquete após beber duas latas de um energético. Ele também não apresentava problemas de saúde.
“Adolescentes e jovens adultos, atletas ou sedentários, estão consumindo energéticos em uma taxa alarmante”, escreveu Higgins. “Precisamos determinar se o uso desses produtos, a longo prazo, vai provocar efeitos deletérios”.
Coautor do estudo, o fisiologista do exercício Troy Tuttle contou ver muitos participantes de equipes esportivas recorrerem a energéticos em vez de isotônicos. O que, para ele, é um erro: “Os isotônicos são basicamente água com açúcar e eletrólitos. Os energéticos contêm uma grande quantidade de ingredientes, muitos ainda não pesquisados, especialmente quando combinados”.
João Carlos Bouzas, professor do Laboratório de Performance Humana da Universidade Federal de Viçosa, assegura que a troca de um produto pelo outro não surte efeito.
— Se houvesse qualquer comprovação de que o energético tem alguma propriedade para melhorar o desempenho atlético, ele estaria na lista de dopagem do Comitê Olímpico Internacional — explica.
Para o fisiologista Turíbio Leite de Barros, coordenador do Centro de Estudos em Medicina da Atividade Física e do Esporte, o energético tem sido usado como “bode expiatório”:
— A única substância que exige cautela num energético é a cafeína — avalia. — E cada lata tem 80 miligramas dela, uma dosagem oito vezes menor do que a permitida pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária para venda de um produto. O energético é um bode expiatório porque muitos atribuem a ele a culpa que pertence a outras substâncias consumidas pelo mesmo público, como o álcool.

domingo, 18 de março de 2012

Como Pep se tornou Guardiola

Símbolo do Barcelona por uma década, Josep Guardiola pendurou as chuteiras em 2006 com o projeto de ser treinador. Ao contrário da maioria dos ex-jogadores que trilham esse caminho, foi estudar e buscar as lições de seus mentores. Propondo um futebol mais de razão que de resultados, Pep já conquistou 13 dos 16 títulos que disputou como técnico do Barça.
“Meu pai diz que preciso me reconverter. Pergunta o que quero fazer da vida. Não sei o que dizer; talvez que não vá fazer nada. Mas ele insiste, quer que eu me mexa, para não passar a imagem de preguiçoso. Mas, pai, talvez eu não faça nada mesmo da vida…”
Em 2 de agosto de 2006, Josep Guardiola deu uma de suas últimas entrevistas. Poucas semanas antes, ainda jogava no desconhecido Dorados de Sinaloa, time mexicano cujo nome soa mais como uma franquia de beisebol de segunda divisão do que como um clube de futebol profissional.
O fim de carreira do meia catalão não foi à sua altura e, em suas palavras, sua reconversão também não parece lá muito bem encaminhada. Mas, atrás do discurso depressivo, o que Guardiola não diz é que passou o verão em Madri. E que sabe exatamente para onde vai.
DIPLOMA
O mês de julho de 2006 é intenso para o ex-capitão do Barça. Todo dia, ele vai até o subúrbio de La Rosas, rumo à Ciudad del Fútbol, na capital da Espanha. Lá, acompanha aulas com assiduidade, preparando-se para se diplomar treinador. O aluno é aplicado e talentoso.
“A escola nacional de futebol espanhola não tem ranking de classificação para os diplomados, mas posso dizer tranquilamente que Guardiola estava entre os três melhores da classe”, lembra Oscar Callejo, secretário da escola.
Com o diploma em mãos, Guardiola não se dá por satisfeito. Para completar a formação, aconselha-se com treinadores que admira.
“Ele ligou para mim e para um monte de outros treinadores. Hoje parece coisa de doido: ligar para falar de jogo, analisar, descascar. Ele tem uma sede insaciável de debater. Eu sabia quando começavam as conversas com ele, mas nunca quando iam terminar”, diz o técnico argentino Angel Cappa.
Ex-adjunto de César Luis Menotti e depois de Jorge Valdano no Real Madrid, treinador do Huracan e do River Plate -foi quem descobriu Javier Pastore-, Cappa foi para a casa de Guardiola em Barcelona no final de 2006. “Não sei se ele já pensava em ser treinador, mas para mim era óbvio. É raro um jogador querer tanto colocar um jogo numa mesa de dissecação.”
LA VOLPE
Obsessivo e perfeccionista, Pep lista os técnicos com quem os quais gostaria de conversar. O primeiro é um argentino de bigode ameaçador, desconhecido na Europa, Ricardo La Volpe.
Na Copa do Mundo de 2006, Guardiola escreveu no jornal “El País”, e suas análises dos jogos e reflexões sobre futebol deixaram muita gente desconcertada. Só uma seleção agrada ao catalão. Não é a Alemanha de Jürgen Klinsmann, nem a Itália de Marcello Lippi, mas o México de La Volpe.
Ele escreveu: “Johan Cruyff dizia: o mais importante no futebol é que os melhores jogadores sejam os zagueiros. Se você sai com a bola, consegue jogar; se não, não faz nada. Johan diz que a bola equilibra um time. Se perde a bola, o time se desequilibra; se perde pouco, consegue manter o equilíbrio. La Volpe decidiu que sua defesa saísse jogando, e não que começasse jogando, o que é diferente.
“Para La Volpe, começar a jogar é tocar a bola entre os zagueiros, sem maiores intenções. Mas La Volpe os obriga a fazer outra coisa. Ele os obriga a sair jogando, obriga os jogadores e a bola a avançarem juntos e ao mesmo tempo. Soube que, nos treinos, La Volpe pede aos zagueiros que corram com a bola por 30 minutos sem parar. Se alguém faz um passe errado, se o campo não é usado em toda a sua extensão, se um passe não é dado para o goleiro como manda o jogo, ele pede para recomeçar do zero.
“Ele corrige, grita, e tudo recomeça. Uma vez, depois outra. Cem vezes, se for preciso. E ver seu México jogar é fantástico.”
Nem mais nem menos do que uma declaração de amor.
Mesmo que isso não agrade a Guardiola e ao seu romantismo, La Volpe foi demitido após ser eliminado nas oitavas de final, apesar de os mexicanos terem dominado a Argentina durante todo o jogo; o futebol só vive de vitórias.
Pouco acostumado a falar com a imprensa, La Volpe declarou: “Sei que Guardiola mencionou meu nome várias vezes, dizendo que fui um dos que mais o influenciaram. Talvez se inspirasse em mim nas triangulações ao chegar à área adversária. E disseram que dedicou a mim a Liga dos Campeões de 2009 [Barcelona 2 x 0 Manchester United], mas ele nunca me disse isso.
“Acho que seguimos o mesmo caminho. Gostamos de tomar a iniciativa do jogo, que o jogador assuma a responsabilidade de conduzi-lo. É assim que se faz bom futebol. Ele faz isso e ainda vence. Alguns de nós foram criticados por tentar e não vencer, é a regra do jogo”.
La Volpe seria demitido do Boca Juniors (2006), do Vélez Sarsfield (2007), do Monterrey (2008) e da seleção da Costa Rica (2011). Apaixonado pelo método argentino, como mostram suas relações com Cappa e La Volpe, por fim Guardiola atravessa o Atlântico.
Aproveitou uma viagem a trabalho de seu amigo David Tureba, cineasta e escritor, para voar a Buenos Aires. Era outubro de 2006.
ARGENTINA
Na capital argentina, Pep deixou sua bagagem num hotel do bairro de Palermo. A primeira visita que fez não foi a um treinador, mas a um nerd louro, um Mark Zuckerberg argentino, de cabelo comprido. Matias Manna é o criador do blog Paradigma Guardiola (paradigmaguardiola.blogspot.com). Ele analisa, com vídeos, pausas e reflexões perspicazes, o futebol de Pep.
“Desde 2005, vou decifrando a maneira de pensar e as convicções futebolísticas de Guardiola”, diz Manna. Ele conta como começou sua amizade com o atual treinador do Barcelona: “Eu o contatei por e-mail e ele respondeu. Sempre se mostrou aberto. Um dia, disse que estava vindo à Argentina e propôs um encontro. Passamos um dia juntos. Falamos muito de futebol.
“Dei a ele o livro ‘Lo Suficientemente Loco’, uma biografia de Marcelo Bielsa. Ele me agradeceu e foi deixar as malas no quarto. Quando desceu, minutos depois, citou quatro ou cinco conceitos de jogo que estavam no livro. Isto é: no elevador, voltando do quarto, já tinha entendido a essência.”
No dia seguinte, Guardiola decidiu assistir a um River-Boca, no Monumental de Nuñez. Seu ex-colega no Dorados Angel “Matute” Morales, conseguiu um ingresso para ele. Pep se misturou à multidão e, na fila para entrar, foi parado por seguranças. “Não o reconheceram”, conta Morales. “Foi revistado como qualquer um, mas não disse uma palavra, não protestou.”
Seu caminho o levou a César Luis Menotti, técnico campeão do mundo em 1978 e técnico do “seu” Barça na temporada 1983-84.
Como um velho sábio, Menotti recebeu aquele que, por enquanto, era só um jovem aposentado do futebol. O encontro aconteceu num restaurante do bairro de Belgrano, em meio a uma nuvem de fumaça de cigarro e cheiro de uísque.
“Quando Pep me procurou, algo já o distinguia: ele tinha ideias claras. Não chegou como outros, que queriam que eu desse o caminho, como se fosse o Messias. Ele já sabia. Então disse a ele: ‘Quer ser treinador? Não tenha dúvidas, vá fundo. Seja treinador, e assim as críticas serão mais bem divididas, não vão mais ser só para mim’.”
Guardiola deixou-se seduzir e também tranquilizar pelo discurso radical do mentor de Maradona. O terceiro e último encontro irá confortá-lo ainda mais na sua decisão.
EREMITA
Maximo Paz, província de Santa Fe. Josep Guardiola marcou um encontro com o eremita do futebol argentino, “el loco” Marcelo Bielsa. Então afastado do futebol desde 2004, Bielsa vivia confinado em casa, sem dar sinais de vida.
Guardiola conseguiu o encontro graças a Lorenzo Buenaventura, seu treinador pessoal quando jogava na Itália e ex-adjunto de Luis Bonini, o braço direito de Bielsa. Hoje, Buenaventura é o preparador físico do Barcelona. A fascinação de Guardiola por Bielsa data da Copa do Mundo asiática de 2002, quando “el loco” treinava a seleção argentina.
Na época, Guardiola declarou: “Para mim, o time mais interessante do torneio é a Argentina, mesmo que não tenha passado da primeira fase. Jogou muito bem, apesar de vivermos num mundo onde, se você ganha, é bom, mesmo que não tenha ficado com a bola; e, se você perde, não importa se tentou, se teve a bola, se o time estava organizado e se tinha apostado no 3-4-3, como Bielsa fez. Você perde e é um fiasco. Vejo isso de outra forma.”
Por 12 horas, em volta de um “asado” (churrasco argentino), os dois conversaram, assistiram a trechos de jogos, debateram, brigaram, se reconciliaram e recomeçaram. Um tema, ou melhor, um homem os une acima de tudo: Louis van Gaal.
O técnico holandês é o único europeu que Bielsa já tomou como exemplo: “O modelo estrangeiro que mais me agrada é o do Ajax de Van Gaal. Ele tem um time flexível para compor suas linhas conforme as exigências do adversário na hora de recuperar a bola. O que interessa é que o time tenha um projeto de jogo próprio nos momentos ofensivos. Calculei que o Ajax dava uma média de 37 passes para trás. O torcedor via isso como recusa a jogar, mas esse passe para trás era o início de um novo ataque.”
No seu livro “Mi Gente, Mi Fútbol” (2001), Guardiola diz o mesmo de seu treinador: “Poucos times me seduziram tanto quanto o do Ajax de Van Gaal, com sua facilidade para criar o jogo da defesa, a velocidade dos jogadores das laterais e seu modo de passar a bola. Aquele Ajax conseguia resolver de maneira fantástica todos os ‘um contra um’ de um jogo. No ataque e na defesa. Assumiam todos os riscos que um time pode correr.
“Aquele Ajax tinha algo que me surpreendia, espantava, maravilhava. A disciplina do posicionamento. A posse de bola como ideia de base. O jogo constantemente sustentado. Os movimentos de dois toques… E eles faziam isso de forma tão simples quanto sublime. O Ajax de Van Gaal dava aulas de futebol aos que conheciam perfeitamente o jogo.”
‘SANGUE’
Nutrido pelo futebol total de Johan Cruyff, Guardiola consegue, acima de tudo, aplicar maravilhosamente bem os preceitos de Bielsa. “Procuro ocupar as laterais, porque a maioria das situações perigosas vem delas. O contrário significa centralizar o jogo. Qualquer estudo revela que 50% dos gols finalizados vêm das laterais. Se um treinador quer que o time domine o jogo, deve posicionar no mínimo dois jogadores por setor. Nunca posiciono os jogadores com o intuito de atacar usando o contra-ataque.
“Para mim, trata-se, antes de mais nada, de uma questão de posse de bola. Se der para ficar com ela, por que devolvê-la? Não preparo um time para esperar. Um grande time não é condicionado pelo rival. O fundamental é ocupar direito o campo, ter um time curto, com uma linha de defesa e uma de ataque separadas por no máximo 25 metros, e que nenhum zagueiro esteja ocupado marcando um adversário que não existe.”
Tocado pela sinceridade quase ingênua de Guardiola, Bielsa perguntou: “Você, que conhece toda a sujeira do mundo do futebol, o alto grau de desonestidade de certas pessoas, por que quer tanto voltar e treinar jogadores? Gosta tanto desse sangue?”. Guardiola respondeu: “Preciso desse sangue”.
O fato é que o catalão vai usar outro método de Bielsa, o de não entregar nada à imprensa. Recluso no seu silêncio há mais de uma década, o argentino havia justificado assim sua vontade de não falar: “Por que eu deveria dar entrevista a um jornalista poderoso e negá-la a um repórter do interior? Por que deveria participar de um programa que tem picos de audiência toda vez que apareço e não me deslocar até uma pequeno rádio local? Qual a lógica? Meu interesse?”.
Guardiola se apoderou da fórmula. Depois de virar treinador do Barça, não deu mais nenhuma entrevista individual. Só vai às coletivas obrigatórias do clube.
JOGO BONITO
Pep voltou à Espanha está seguro de si como nunca. Dias depois de deixar a Argentina, em 22 de outubro de 2006, declarou ao jornal “Marca”: “Por que não poderíamos ter treinadores que defendam o jogo bonito? Converso com muitos treinadores: ‘Como é esse jogador? Como faz aquele?’. Mas não tem receita. No futebol, ganha-se com estilos muito diferentes. Precisamos fazer as coisas como as sentimos. É a partir da bola que se constrói um time.”
Em 2006, Josep Guardiola tinha 35 anos, tinha ideias, mas continuava desempregado. “Seu” clube, embora fosse campeão europeu, estava desabando. Contagiado pela suficiência, o Barça de Frank Rijkaard vivia suas últimas horas de glória. Txiki Begiristain, diretor esportivo do Barcelona e braço direito de Joan Laporta, logo foi consultado por alguns dirigentes, sabendo das intenções de Guardiola.
Begiristain então decidiu, para que seu ex-colega se acostumasse, confiar a ele a direção da categoria de base e dar a Luís Enrique o Barça B. Desapontado, mas leal a seu clube de sempre, Pep aceitou. Só pediu um último encontro com Begiristain. “Pep me falou sobre sua vontade de treinar. Entendi que era o momento dele”, diz o ex-diretor dos esportes do Barça.
Em 21 de junho de 2007, seis meses depois da viagem à Argentina, Guardiola foi nomeado treinador do Barça B, que estava na terceira divisão do campeonato espanhol.
Munido de princípios e teorias, foi confrontado pela primeira vez com a realidade da vida de treinador. Alertado por amigos sobre as dificuldades das divisões inferiores, o primeiro trabalho do técnico “blau-grana” (azul e grená) consistiu na seleção de um grupo.
Ele tinha poucos dias para reduzir o número de jogadores de 50 a 23, destruindo o sonho de vários. As primeiras dúvidas surgiram logo no primeiro jogo, que acabou… em derrota. Guardiola se empenhou, construiu um time no qual um certo Sergio Busquets se impôs no meio do campo; no qual, na ponta direita, Pedro Rodriguez oferecia seu jogo feito de percussões.
Dois meses após o início do campeonato, Guardiola resumiu: “Ser treinador é fascinante. É por isso que os treinadores acham tão difícil parar. O trabalho traz uma sensação permanente de excitação, de que o cérebro gira o tempo todo a cem por hora. Começar na terceira divisão me tornará um treinador melhor, se um dia eu ocupar o banco de um profissional. Hoje sou melhor que dois meses atrás.
“Nunca tinha sido confrontado com 25 caras esperando que eu dissesse algo. Hoje posso ficar tranquilo na frente deles. Antes, no intervalo, não sabia o que dizer.”
NÚMERO UM
Guardiola sabia as palavras certas, seu time venceu o campeonato e o Barça B subiu para a segunda divisão.
Ao mesmo tempo, no andar de cima, Rijkaard deixou escapar para o Real, pela segunda vez seguida, uma liga que estava na mão. Laporta entendia que o holandês não tinha mais autoridade sobre um grupo dominado pelos egos de Ronaldinho Gaúcho e Samuel Eto’o. Começou então uma disputa de poder nos bastidores do Camp Nou entre os conselheiros do presidente.
Laporta conta: “Minha ideia era que Johan [Cruyff] treinasse o time, tendo Pep como adjunto, e que, na temporada seguinte, ele virasse o número um. Johan não disse nada. Eu o conheço, sei que toma decisões rápido. Por fim, ele me disse que deveríamos nomear Pep logo. Txiki concordava: ‘Guardiola está pronto para ser treinador do primeiro time’. Propus essa solução numa reunião. Alguns eram a favor, outros queriam Mourinho. Falei: ‘Mourinho não, vai ser o Pep’.”
Em 8 de maio de 2008, menos de dois anos depois de receber o diploma de treinador, Guardiola foi nomeado técnico do time do qual fora capitão e símbolo por cerca de dez anos. Sua primeira medida foi impor o afastamento das três estrelas: Ronaldinho, Deco e Eto’o.
Os dois primeiros aceitaram; o camaronês ganhou uma temporada de descanso. No primeiro treino, Pep se dirigiu aos jogadores: “Não vou prometer que vamos ganhar títulos. Vamos tentar. Mas apertem bem os cintos, porque vocês vão passar ótimos momentos.”
Pep acabava de se tornar Guardiola.

Publicado originalmente na revista francesa “So Foot”. Colaboraram Javier Prieto Santos e Aquiles Furlone, de Buenos Aires.

quarta-feira, 14 de março de 2012

Controle da carga de treinamento aplicado ao futebol

Como os gestores de campo podem saber o momento de dar descanso ou um novo estímulo para cada atleta?
O corpo humano é controlado pelo sistema nervoso que é divido anatomicamente em sistema nervoso central e periférico e funcionalmente é dividido em sensorial, somático ou autonômico. O sistema sensorial capta as informações, o somático é responsável por nossas ações voluntárias e o autonômico regula nossas funções sem nossa consciência.
À medida que os estímulos (internos ou internos) interagem entre si, o organismo se ajusta frente a cada situação para garantir a sobrevivência.
A elevação da frequência cardíaca e da respiração durante a prática de exercício físico são exemplos dessas respostas assim como a produção de hormônios, a sudorese, o sono, etc.
No treinamento esportivo, uma das formas de controlar a carga ocorre pela monitoração da frequência cardíaca em conjunto com escalas de percepções subjetivas de esforço. Em modalidades intermitentes como o futebol, apesar de algumas limitações, essas ferramentas têm sido utilizadas com frequência e auxiliam bastante na preparação dos atletas.
Pelo fato de o sistema nervoso autônomo se estressar frente a estímulos físicos e mentais, além da condição física, também é possível verificar o nível de estresse que cada jogador se encontra.
Mas como saber o momento de dar descanso ou um novo estímulo para cada atleta?
Recentemente, a monitoração do controle autonômico surgiu como alternativa para verificar se o atleta está recuperado e pode receber uma nova carga de estímulo ou se ele ainda necessita de um período de descanso maior.
Com um eletrocardiograma ou um frequencímetro que permita o registro do intervalo de tempo entre cada batimento cardíaco, existe a possibilidade de se realizar alguns cálculos que expressam a variabilidade da frequência cardíaca e consequentemente verificar a modulação autonômica de cada sujeito.
No geral, se a condição de estresse é alta, espera-se maior participação da atividade simpática. Se a condição de estresse é baixa, então a modulação da atividade parassimpática é quem deverá predominar
De forma bem simplista é como se nosso corpo funcionasse sobre uma gangorra. Num dos lados da gangorra temos o sistema nervoso parassimpático (ativado em condição de calmaria) e do outro o simpático (ativado em condição de estresse).
Em condições normais esses dois sistemas deixam a gangorra em equilíbrio e no caso de um sistema pesar mais do que o outro esse desequilíbrio pode significar problemas.
Imagine, por exemplo, um atleta que se estressa em uma condição de treino e se recupera bem rápido e outro que se estressa igualmente, porém demora muito tempo para se recuperar. Nesse caso, se a mesma carga de treino for ministrada para ambos, obviamente que eles terão respostas diferentes ao ponto de um poder melhorar muito sua condição, enquanto o outro poderá até correr riscos de saúde ou de lesão.
Para que isso não ocorra, a monitoração do controle autonômico cardiovascular pode servir como parâmetro de controle de carga interna e consequentemente evitar que os atletas entrem, por exemplo, em supertreinamento.
Apesar da complexidade do assunto, espero que sua gangorra esteja perfeitamente equilibrada já que esse também é um bom indicativo de saúde cardiovascular.